Muito tem-se dito acerca do problema da deliqüência juvenil em nosso País, discutindo sobre a maioridade penal, sobre aumento de penas para jovens que participem de crimes hediondos, mas pouco se debate nas causas da deliqüência;claro que não são elas novas, ao contrário, são mazelas que afligem a toda sociedade já a muitos anos.Pouco se faz para melhoras as condições de vida desses jovens, pois o desemprego está cada vez maior para quem não tem instrução, e como não há escolas também para eles, fica difícil querer que tenham uma ocupação.
Soluções mediatas não existem, mas o que se deve começar a fazer é criar locais para que as famílias destes jovens possam ter uma casa em um lugar seguro, com escola perto, transporte eficiente e barato, hospital, o Estado tem que se fazer presente por outros meios na vida dessas pessoas, não basta levar a PM para cima do morro em busca dos marginais, haverão outros para substituí-los.
Devemos deixar os pré-conceitos de lado e partir para uma união de esforços, não verbais, mas sim físicos, em busca de melhores condições de vidas para todos, afinal de contas estamos em uma sociedade.Essa situação precisa começar a mudar e logo, estamos beirando limites de estresse altíssimos com tanta violência.A sociedade clama por soluções, debruçando suas esperanças nos órgãos estatais, e em seus representantes públicos, os políticos.
Leis são feitas que nem o vento sopra, a todo instante, mas a necedade é ruim já que normas emotivas são imperfeitas, e de que adianta criar novos Tipos Penais, se os que já existem abarcam os fatos delituosos?necessário é que se aplique a norma, que se dê condições nos presídios para a recuperação dos adultos, e nas carceragens juvenis que lhes sejam dadas oportunidades,ensino,saúde. Se a eles for dado o respeito que merecem, pois humanos são, aprenderão a respeitar os outros, e quem sabe não levarão isso adiante?é preciso rever muita coisa de nossas instituições, começando pelo simples cumprimento da lei ao ponto em que esta determina que nessas instituições haja isso ou aquilo.
Triste sim foi a morte do jovem menino de 8 anos de idade, mas porque a dele foi tão especial?porque os filhos dos demais moradores da cidade, que morreram por balas perdidas, no tráfico, atropeladas, enfim, em outros eventos trágicos similares a este, não tiveram o mesmo destaque na mídia?
É complicado bater nessa teclada, muitas opiniões divergem de acordo com o posicionamento político ideológico da pessoa, mas particularmente não sou a favor da manutenção de diversos mecanismos de nossas leis hj.Acho que é necessário um endurecimento real de alguns casos, mas nada a ser feito agora, no calor da emoção, mas sim com o racional juízo de valor do projeto de lei a ser proposto. Diminuir para 16 anos a idade do penalmente imputável muda alguma coisa?so o número dos que irão parar em presídios e aprender novas táticas criminosas, estando ainda sujeitos a violências piores sob a tutela estatal.Logo, não é o ideal que se diminua, mas sim, que se aplique a lei a estes jovens, e aos adultos que abusarem destes menores, que sejam punidos sim com rigor por abusar daqueles menores, por atrapalhar suas vidas.
Vamos cobrar sim do cumprimento da lei aos agentes estatais, pois do que adiante legislar se a norma não possuirá sua eficácia real?então, tomemos cuidado com as posturas legislativas, não adianta criar normas que não serão cumpridas, deve-se olhar o problema antes de ele se tornar grave, deve-se buscar dar a estes jovens estímulo para que crescam na vida, que tenham seus lugares na sociedade, que usufruam dos mesmos direitos de quem nunca morou numa favela, de quem nunca foi miserável.

